Jovem de vida amorosa mal resolvida tem crise de corno e invade a casa da ex-namorada, faz ela e sua amiga de refém. E o resto do Brasil vai levando a vida normalmente, alguns ficam chocados com a notícia no Jornal Nacional, outros nem viram porque provavelmente estavam jantando ou olhando outra coisa na hora.
Passam-se uns dias, o corno mal comido ainda não liberou seu “amor”, mas libera a amiga. “Ufa, ainda bem” diz alguma senhora em algum lugar do Brasil assistindo a TV.
A pobre da amiga é forçada a voltar pro carcere, e um tempo depois, a polícia invade a casa, mas o corno dá 5 tiros, um na amiga, 2 naquela que um dia disse amar e ainda sobrou tiro pro policial.
A amada morre, e aí vem a parte engraçada.
Todo mundo que não tava nem aí pra isso tudo agora está muito comovido, revoltado com a violência pública do Brasil, “Oh meu Deus!”. Pro inferno. Chovem lutos pelo MSN (a que ponto de bizarrice chegamos hehe), florezinhas no nick, ou então minutos virtuais de silêncio.
Velório aberto ao público, um monte de macaco de auditório comparece, tira fotos e mais fotos do caixão (?!) fazem caretas e estripulias pras cameras que lá estavam como urubus pra trazer mais notícia de uma coisa que ninguém mais aguenta ouvir, apesar de sério.
Que bizarro, até morte hoje em dia virou motivo pra sair de casa e aparecer na TV. Imagina se toda “eloá” que morre aparecesse na TV e tivesse o velório aberto ao público, ia virar ponto de encontro, pegação e beijo na boca na frente do caixão, entre viúvas e mães desoladas carrões com o som alto ligado.
Viva a banalização da violência!